De 2000 para cá, o Fortaleza deu uma arrancada impressionante nos investimentos feitos na categoria de base e acabou virando referência no Estado. Recentemente, inclusive, num ranking elaborado pelo site Olheiros, foi apontado entre os 20 melhores centros de formação de jogadores no Brasil e o segundo no nordeste.
Mas parece que entre a lapidação e o aproveitamento desse jovens há um problema. Recapitulando, poucos foram de fato aproveitados como deveriam no profissional. Muitos foram vendidos antes da hora e outros tantos acabaram não tendo espaço como poderiam na equipe principal do Fortaleza.
Agora, o Tricolor assina de vez essa mudança de filosofia. Nesta quarta-feira, o clube anunciou a rescisão e o empréstimo de alguns jogadores. Muitos deles crias da casa: Canga pediu desligamento. Já Bismarck, Rogério e Reginaldo Júnior acabaram emprestados mais uma vez e não fazem parte do elenco que disputará a Série C.
Esse grupo parece seguir o perfil de tantos outros que surgiram bem e, sem sequência ou confiança, foram aos poucos ficando encostados no Pici. Basta lembrar de Bambam (atacante), Régis (volante), Romário (zagueiro), Raul (goleiro), Handerson (volante) e Marlon (meia). Todos saíram sem espaço e sem dar o devido retorno financeiro. Ou seja, foram peças formadas e mal-aproveitadas pelo Fortaleza.
Dos que lembro, apenas Clodoaldo, Guto, Osvaldo, Erandir, Leandro e Douglas, de fato, vingaram e foram bem utilizados no clube. Podem não ter gerado o lucro que o Fortaleza esperava, mas compensaram em campo e deram resultados práticos – alguns torcedores lembraram no Twitter de Amaral.
Vale lembrar. Categoria de base existe para suprir o profissional de peças e/ou servir como fonte de renda para as equipes. Se isso não está acontecendo, há algo de errado no planejamento e no objetivo do trabalho.
Mota não foi o melhor jogador do Ceará no Estadual. Porém, seu rendimento teve papel fundamental na campanha que terminou com o título alvinegro. Além do 14 gols marcados e das cinco assistências, o camisa 9 desempenhou uma função tática importante e responsável por boa parte da movimentação ofensiva do Vovô.
Mesmo assim, Mota virou alvo de questionamentos. Teve sua titularidade coloca à prova, assim como a utilidade da sua contratação. Algo que, vale lembrar, também surgiu em 2009, durante a campanha na Série B.
Porém, há um erro de avaliação. Tanto antes quanto agora. O torcedor cobra de um ídolo caro, atuações decisivas em sequência. Mas o futebol de Mota sempre foi muito mais coletivo que individual. Um jeito de jogar que abre espaços para os companheiros e deixa a equipe mais solta. Um estilo muitas vezes invisível para quem só enxerga dribles e firulas.
Mota valeu o investimento. Fez seus gols, deu seus passes, devolveu a auto-estima ao torcedor e cumpriu taticamente tudo aquilo que PC Gusmão pediu. Basta reparar nas vezes que Mota fez os laterais entrarem no jogo, em que abriu o corredor para Rogerinho atuar ou voltou para compor o meio campo na marcação (o primeiro clássico da final foi emblemático).
Assim, taxar Mota como uma decepção é, no mínimo, falta de conhecimento. Como já escrevi, ele não foi o protagonista do Ceará nesse início de ano. E nem precisou ser.
Em tempo: PC Gusmão pode perfeitamente escalar um ataque com três opções (Mota, Romário e Henrique Dias, por exemplo) e mais um meia, como Dimas chegou a fazer em parte do Estadual e colheu ótimos frutos (com média de três gols por partida). Basta o treinador encaixar um posicionamento em que duas peças do trio fechem na marcação. Algo que, com a cobrança de PC, não é nada improvável.
Proporcionalmente aquilo que vai encarar no Brasileiro, o Horizonte é o time cearense com as melhores chances de subir de divisão. Para a Série D, o Galo está fazendo contratações fortes. E, mesmo perdendo alguns nomes importantes, manteve a espinha dorsal e tem conseguido montar, teoricamente, um elenco bem forte.
Já chegaram Djalma (ex-Crato), Márcio Tarrafas (ex-Ferroviário), Dedé (ex-Tiradentes), Aírton Junior (ex-Guarani de Juazeiro), Cleiton (ex-Palmeiras-PE), Tiago Potiguar (ex-Palmeiras-PE), Clodoaldo (ex-Juazeirense), Pedro Bambú (ex-Tiradentes) e Mondragon (ex-Crato). Excelentes jogadores para uma competição com o nível da Série D. E que desembarcam num time já pronto e com trabalho bem encaminhado.
Foram mantidas peças importantes como o lateral-esquerdo Johnny e o meia-volante Elanardo. Além, é claro, do técnico Roberto Carlos, desde a temporada passada à frente do Horizonte e que tem a equipe nas mãos.
Vale lembrar que em oito anos de vida, o Horizonte já ganhou cinco títulos: Estadual da 2ª Divisão, duas Taças Fares Lopes e dois Troféus do Interior. Além disso, apenas uma vez não terminou a primeira divisão local entre os três melhores colocados na classificação geral. É muita coisa para um clube tão novo.
O volante Lucas é protagonista de uma cena que está correndo pelas redes sociais. Ao final do Clássico-Rei que terminou com o título do Ceará, o jogador vai reclamar com o árbitro da partida. Nesse momento, é abordado por uma mulher e reage com o que parece ser um empurrão. A moça, revoltada, diz que levou um soco do atleta. Pronto. O suficiente para um fórum de debates, xingamentos e julgamentos virtuais.
Porém, é preciso ter calma. A imagem é ruim e muito rápida. O que dá para ver, de fato, é a aproximação da moça, funcionária do programa Canal do Vovô, e uma reação do jogador tricolor. Quem não testemunhou em campo o ocorrido não tem como definir exatamente o que Lucas fez ou deixou de fazer. O vídeo é inconclusivo.
Há, no entanto, a versão de um cinegrafista da TV O POVO (que obviamente não citarei o nome) que ajuda a esclarecer a situação. A moça chegou perto de Lucas e provocou o jogador, falando sobre a perda do título e o vice-campeonato. De cabeça quente, o volante afastou a moça e saiu. Segundo o cinegrafista, não houve soco. Foi um “chega pra lá”.
A atitude de Lucas é reprovável, mas compreensiva. E isso não é uma defesa, apenas uma constatação (imagine você perder um campeonato e segundos depois ouvir provocações de um adversário que nem jogador é). É reprovável também a atitude da moça, que detém uma carteira da Associação Profissional dos Cronistas Desportivos do Estado do Ceará (APCDEC) e não deveria usar o privilégio de estar no gramado para agir como uma torcedora qualquer.
Lucas, de cabeça quente, embarcou na provocação. Respondeu com um ato. Errou. Além de ser um cara público, foi agressivo com uma mulher. Mas a moça também pisou feio na bola. Jogou para escanteio o profissionalismo.
O que acho é que o episódio não merece a repercussão que ganhou. Não há santo na história. E não dá para condenar ninguém sem entender o contexto. O risco de cometer injustiça é enorme.
Sempre com assuntos que ligam a tecnologia com o mundo da informação, o #ConversaDigital comemora um ano de sucesso. E para celebrar o o projeto, a Cecomil apresenta um debate especial nesta quinta-feira, 17, a partir das 19h30.
Vamos transformar a usual ‘mesa redonda’ do futebol numa mesa quadrada, na qual Fernando Graziani (Jangadeiro/Band), Ciro Câmara (Grupo O Povo de Comunicação), Bruno Formiga (TV Cidade e Jornal O Povo) e Marcelo Bloc (Diário do Nordeste/Diário On Line/Sistema Verdes Mares) vão debater o tema “Futebol na Rede 2.0”.
Vamos discutir como é produzir opinião e ser moderador num meio tão difundido como é a internet, nos seus blogs, e sua consequente reprodução e divulgação nas redes sociais. Como lidar com os trolls, torcedores apaixonados e/ou loucos? É possível trabalhar e equilibrar a razão e a paixão?
Também conhecido como a forma mais divertida de unir informação e entretenimento, o #ConversaDigital também funciona como uma faculdade coorporativa, com certificado de participação a ser utilizado como atividades complementares em Faculdades e Universidades.
E não se esqueça de levar um quilo de alimento ou uma lata de leite, pois a sua doação será muito importante para a Casa de Apoio Sol Nascente de Fortaleza, que realiza acolhimento integral de crianças portadoras ou filhos de portadores do HIV que foram abandonados.
Bons trabalhos despertam interesse. Mais ainda quando vêm de lugares onde o mercado é economicamente mais frágil. É o caso de Nedo Xavier no Fortaleza. A campanha do técnico com o clube naturalmente chamou a atenção de alguns times. Ipatinga e Boa Esporte andaram sondando o treinador. Em vão. Ele segue no Tricolor. Garantia dada por Osmar Baquit.
O preâmbulo inicial foi escrito para deixar claro que propostas sempre vão aparecer quando um técnico aqui do Estado desempenhar um bom papel. Os salários não são altos e eles se tornam alvos fáceis para clubes mais endinheirados. Sempre foi assim. Bonamigo, por exemplo, em 2007, fez um baita trabalho pelo Fortaleza e acabou de mala feitas para a Portuguesa. PC seguiu o mesmo caminho em 2010, quando foi para o Vasco. Isso para citar exemplo recentes.
A tática para manter os comandantes é criar um ambiente estável, dar garantias e apresentar um projeto concreto. Dinheiro, muitas vezes, não é o que pesa mais. E é o coeficiente mais complicado por aqui na hora de competir.
O Fortaleza, aparentemente, conseguiu convencer Nedo Xavier de que seguir no clube é o melhor caminho. Noutro lugar, Nedo teria de recomeçar, teria de formar um novo elenco e cativar a confiança de todos. No Pici ele já tem tudo isso. Está em curva crescente e pode vislumbrar um horizonte otimista.
Para ele, ficar seria fundamental. Para o Fortaleza, também. Perder Nedo agora era dar vários passos para trás. Era apagar parte do que foi feito, mudar o perfil e correr sérios riscos de perder o que fez de bom na temporada. Nesse momento, ambos precisam um do outro. E a torcida tricolor agradece.
Na última segunda-feira, conversei demoradamente com o técnico PC Gusmão. Uma bate-papo agradável sobre futebol, motivação, planejamento e trabalho. Parte dessa entrevista, que durou quase uma hora, está publicada na edição desta terça-feira do jornal O POVO e pode ser conferida aqui.
Mas alguns pontos guardei para a coluna. Passagens importantes como, por exemplo, a comparação do atual elenco com o de 2009, símbolo maior do sucesso de PC Gusmão à frente do Ceará. Para o treinador, o grupo atual tem mais qualidade e parte na frente daquele na disputa da Série B. “Esse time entra na competição cheio de coisas boas por causa do título estadual”, acredita.
PC deixou claro que pretende ficar no Ceará até o final do contrato. Quer cumprir o compromisso que firmou com a diretoria, mas não tem como prometer. “Vida de treinador é muito dinâmica. Muitas vezes lhe oferecem uma estrutura e um projeto melhores. E se você nega, depois acaba demitido por causa de uma sequência ruim do mesmo jeito”, explica. De qualquer forma, desde que chegou ao Vovô, em março, três propostas já foram recusadas. Uma delas do Vitória.
Quanto ao elenco, PC acredita que hoje o grupo esteja unido e bem entrosado. Porém, sabe que o momento é positivo e muitas vezes mascara problemas internos – que ele admitiu ter detectado quando assumiu. “É fácil ver um grupo unido quando tá ganhando. Mas o difícil mesmo é quando tá perdendo”, comenta.
Fábio Lima é um dos melhores fotógrafos que conheço. É de uma sensibilidade absurda. Além de um olhar sempre atento aos detalhes. No domingo, ele trabalhou no Ceará x Fortaleza decisivo pelo jornal O POVO. E acabou clicando talvez o momento mais importante do Clássico-Rei: O lance que gerou o pênalti em cima de Romário.
A imagem é emblemática. E ajuda a tirar muitas conclusões. É uma ferramenta a mais no debate sobre a marcação do árbitro Ricardo Marques Ribeiro.
No primeiro post sobre a finalíssima, dei minha opinião sobre a polêmica. Agarrão, onde quer que seja, é falta. Agora, com a foto, fica mais fácil debater. No meu caso, só reforçou a certeza de que Cléber Carioca foi imprudente.
Respeito a decisão de Ceará e Fortaleza em não receber os troféus e as medalhas da edição 2012 do Estadual. Não concordo, mas respeito. Acho que foi uma medida coerente com o sentimento de ambos. Porém, uma decisão que mandou a esportividade para escanteio. E vale lembrar: os torcedores não têm culpa de todas as picuinhas.
O simbolismo do troféu é importante. Coroa um trabalho. É o momento de reconhecimento daquilo que foi feito de forma competente. Ceará e Fortaleza deram de ombros para isso. Mancharam a história. Estão errados, apesar de, repito, terem sido coerentes com aquilo que seus presidente falaram na última sexta-feira.
Mantiveram o orgulho. E não souberam ganhar. Nem perder.
Porém, há um detalhe: Se ambos querem mesmo romper com a Federação Cearense de Futebol (FCF) devem fazê-lo de fato e não apenas em atos simbólicos. E isso só vem com uma desfiliação real, assinada. Mas duvido que isso acontece. O rompimento é apenas midiático. Feito para ganhar a torcida e fazer barulho.
O que não dá para negar é que a FCF precisa repensar sua relação com os clubes e sua forma de gestão. Conseguir desagradar aos dois rivais é sintomático.
O Ceará foi um campeão com muitos méritos. Foi o time que mais venceu, que menos perdeu, que mais fez gols, que menos tomou e que teve o artilheiro da competição. As estatísticas apontam para um título justo. Um prêmio para um elenco com boas opções e que permaneceu invicto depois que PC Gusmão chegou.
Mas, como escrevi antes aqui neste espaço, o Estadual cumpriu sua missão tanto para Ceará quanto para Fortaleza. A competição devolveu ao torcedor a confiança, o sorriso no rosto. Ambos foram reconstruídos depois de um 2011 traumático para os objetivos tanto de alvinegros quanto de tricolores.
A competição termina com a sensação de que o Ceará está no caminho para uma boa Série B. O mesmo vale para o Fortaleza, já com um nível de competitividade interessante para disputar a Série C. Faltam peças para os dois. As bases, no entanto, estão (bem) montadas. O futuro é animador.
É por isso que neste domingo o PV viu nascer um campeão. E dois vencedores.
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Bruno Formiga
Jornalista, pós-graduado em Teorias da Comunicação, repórter de esportes do O Povo e comentarista da TV Cidade-Record. Colabora também com a revista Placar.